Declaração de Fé

Cremos em um único Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo; Todo-Poderoso, criador do Céu e da Terra, o qual fez todas as coisas conforme o supremo conselho de sua própria vontade, para sua própria glória.

Cremos em Jesus Cristo como o único e suficiente salvador, que veio em carne para manifestar a glória de Deus, sendo, Ele mesmo, a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a Criação.

Cremos que o ser humano é a mais elevada dentre todas as obras criadas, sendo o único feito à imagem e semelhança de seu Criador, constituído como ser racional, moral e espiritual, com a responsabilidade de exercer sábio governo sobre a Criação e a necessidade de encontrar significados profundos para sua existência.

Cremos que o Temor do Senhor é o princípio de toda a sabedoria, que todas as coisas criadas refletem traços do caráter do Criador, que a Fé não é incompatível com a Ciência, com a Ética ou com a Política e que a Educação é indispensável para o aperfeiçoamento dos seres humanos.

Cremos que a família é a principal responsável pela educação dos seus filhos, e que a sociedade será sempre o resultado da educação que for oferecida nos lares, ou da falta dela.

Cremos que o ser humano tem direito à vida, à liberdade e à propriedade, sendo que a principal dessas propriedades é sua consciência, e que a educação deve levar em conta a necessidade de fundamentos e princípios que respeitem tais direitos.

Cremos que o bem e o mal existem de forma objetiva, não sendo meras questões de opinião, e que cumpre aos pais educar seus filhos para buscar, amar e defender o bem e recusar e evitar o mal, investindo nisso seus recursos materiais, sua coragem e sua honra.

Cremos que a Bíblia é o elemento primordial para a execução dessa tarefa, sendo necessário que as crianças aprendam a identificar nela os princípios fundamentais das diferentes áreas do conhecimento. Como disse John Wycliff, “Não há sutileza na Gramática, na Lógica ou em qualquer outra ciência que se possa recordar que não seja encontrada, de forma ainda mais excelente, nas Escrituras”.

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Entendemos que o ser humano está em algum ponto dos extremos que são o nada e o infinito, como dizia o filósofo Blaise Pascal. Apenas o ser humano pode maravilhar-se com a imensidão do Universo que o cerca e investigar e perscrutar a natureza, desde o infinitamente grande até o infinitamente pequeno.

Ninguém conseguirá jamais conhecer exaustivamente todas as coisas. Por isso, não é correto nem justo que o processo educativo confine o conhecimento das pessoas àquele minúsculo recorte do saber que os ditos “especialistas” determinam como o mais importante para todos os seres humanos. Daqui decorre a crença na liberdade de aprendizado, que somente é permitida no contexto do respeito à individualidade daquele que deseja conhecer.

Entendemos que cada ser humano é inimaginavelmente complexo, admiravelmente capaz e inexplicavelmente habilitado, tanto para atos grandiosos quanto para atitudes covardes e mesquinhas, tendo, por causa disso, imperativa necessidade de ser educado para que as características que o distinguem como ser humano sejam direcionadas para o bem e não para o mal.

Para que uma sociedade seja realmente livre e produtiva é necessário que sejam reconhecidas e valorizadas suas diferentes esferas de soberania: família, religião, escola, trabalho, artes, ciências e governo, cabendo ao Estado o papel de zelar para que cada uma dessas esferas atue na medida de liberdade que lhe é pertinente e em justa interação com as demais. A autoridade de cada uma dessas esferas não é conferida pelo Estado, mas somente reconhecida por ele e por ele protegida.

Entendemos que a criança é valorosíssima, digna de toda atenção e respeito por suas necessidades, mas que ainda não sabe o que é melhor para si mesma ou para os outros. Cada criança é um ser único que precisa ser respeitado em sua individualidade, e nenhuma escola ou método são suficientemente adequados para atender as necessidades de todas as crianças, como se cada uma fosse apenas parte de um coletivo.

A criança é um ser dependente, que aprende o tempo todo, com todas as coisas que vê, ouve, lê e imagina, sendo necessário dar a ela quantidade suficiente de tempo com qualidade. Por isso, o melhor lugar para o desenvolvimento da personalidade da criança nos primeiros anos de vida é sua própria casa, junto com pai e mãe que procuram conhecê-la e ensiná-la conforme os princípios da família e as características próprias da criança.

No contexto da família, a criança não é privada de amplas oportunidades de verdadeira socialização, visto que pode ser exposta a múltiplas formas de interação com pessoas de diferentes idades ao longo do dia, ao passo que na escola ela é confinada a um espaço reduzido, sempre com crianças da mesma idade, e com acesso apenas a determinado tipo de material formatado por ‘especialistas’ direcionados pelo mercado editorial, que reconhecidamente não é neutro.

Defendemos que os métodos e as técnicas de ensino e aprendizagem devem ser estudados e compreendidos pelos pais e educadores, tanto em sua teoria como na prática, à luz dos fundamentos, princípios e objetivos educacionais, para que sejam utilizados de forma competente e responsável e não impostos arbitrariamente, como se pais e educadores fossem incapazes de avaliar a eficácia dos recursos que lhes são apresentados.

Entendemos que os assombrosos índices de violência, corrupção, irreverência, abuso de drogas, analfabetismo e total falta de solidariedade que caracterizam a sociedade atual não são outra coisa senão o resultado da estatização da educação desde a primeira infância. De acordo com o modelo educacional em vigor nas últimas décadas, a escola passou a competir com a família, impondo comportamentos massificados que não são, nem de longe, adequados para a formação de indivíduos íntegros, responsáveis e capazes de se autogovernar.

A infância é o período determinante para formar princípios de governo segundo os quais as futuras gerações serão organizadas. Se não forem ensinados princípios para uma sociedade livre, as próximas gerações serão infalivelmente escravizadas. E entre os mais importantes princípios de liberdade está a capacidade para ler e compreender logicamente os textos lidos.

Para isso, a Gramática, a Lógica e a Retórica são as ferramentas de liberdade que precisam ser dominadas, tanto por pais e educadores quanto por estudantes de todas as idades. A usurpação destas habilidades tem formado escravos de todas as classes sociais, econômicas e profissionais.

Diante do que foi dito acima, entendemos que a educação desenvolvida nos últimos anos nos contextos escolares não apenas tem fracassado na formação de pessoas dignas de viverem em sociedade como também tem produzido aberrações sociais e todo tipo de condenados a viverem à margem da vida produtiva, incapazes ainda de reconhecer sua própria condição de seres humanos roubados de suas potencialidades e sonhos.

Por isso, cremos na urgente necessidade da criação de mecanismos de defesa e apoio aos pais para que sejam capacitados a exercer a elevadíssima tarefa de educar seus filhos, a fim de expressar sua elevada condição de seres criados à imagem e semelhança de seu Criador.