Ministério de Apoio Metodológico

Responsável: Inez Augusto Borges

Atrelados às filosofias educacionais estão os métodos e as atividades educativas. Não existem métodos neutros ou atividades educacionais neutras. Quando determinada atividade é planejada, ela produz um efeito. O problema é que muitos pais e educadores reproduzem atividades sem considerar o que os filhos ou estudantes estão aprendendo por meio delas. Em uma festa de aniversário, por exemplo, muitas brincadeiras são realizadas e as crianças parecem estar se divertindo.  Entretanto, porque são escolhidas algumas brincadeiras enquanto outras são evitadas ou proibidas? As crianças aprendem noções de certo e errado, bem e mal por meio das atividades das quais participam, mesmo que, em muitos casos, pode até ser que nem mesmo os adultos que promovem a atividade estejam cientes do que está sendo ensinado.

Como exemplo citamos uma atividade de educação física realizada em uma escola cristã e relatada por um menino de oito anos de idade. A brincadeira é chamada de “o rabo da raposa” ou “pega-rabo”. O professor de educação física distribui pedaços de tecido ou tiras de papel que as crianças prendem no cós da calça, da bermuda ou da saia. Depois, divididos em duas equipes, é feita uma espécie de pega-pega, no qual os membros de uma equipe procuram pegar o maior número de “rabos” da equipe contrária. Na prática, esta brincadeira permite que meninos e meninas passem a mãos nas nádegas uns dos outros, independente, não só com a aprovação do professor, mas também com o comando deste. Crianças mais recatadas que por ventura ficarem constrangidas com a brincadeira são assim expostas não somente a ações que lhes desagradam como também à zombaria dos colegas caso venha a expressar seus sentimentos em relação à atividade que o professor propõe.

Aliás, as crianças não têm subsídios para julgar a proposta do professor e se submetem sem perceber que não há nenhuma finalidade educativa nesta brincadeira a não ser a quebra dos valores da individualidade.

É necessário considerar ainda a grande possibilidade de que, ao puxar o “rabo” de uma criança, a outra puxe também a roupa de seu “adversário”, que acaba se tornando um vítima de abuso oficializado pelo professor e pela escola.

Evidentemente, esta atividade não é neutra. Então, é necessário perguntar quem a idealizou e qual a intencionalidade do autor. Mas, o que tem acontecido é que livros ideias de atividades são adquiridos e as sugestões são colocadas em prática, muitas vezes, de forma irrefletida.

Neste Ministério, além de oferecer subsídios para análise de métodos e atividades educativas, serão também disponibilizadas subsídios para que pais e educadores criem suas próprias atividades, tendo clareza do que desejam ensinar.