*Por Everson Alessandro

Por um instante, os olhos se fecham e de repente tudo muda. Como Adão experimentando a solidão da desobediência, percebe, ao abrir os olhos, que já não goza mais da segurança do Criador. A escuridão se instala e o curso da vida passa a ser desgovernado. Nestes dias de dúvidas e medos, os nossos corações insistem em buscar respostas e controle no externo: nas pesquisas; nos índices de letalidade do novo vírus; nas medidas de prevenção, etc. Todas elas são ações importantes e necessárias, por certo. No entanto, na visão celestial sempre haverá algo mais profundo a ser vasculhado.

Deus insiste em sondar o coração humano e de lá, conhecer os desejos, sonhos e egoísmos que trazemos escondidos em molduras religiosas finamente trabalhadas. Sem luz e sem brilho, a vida se volta para a clausura existencial. Nestes casos, a alma aflita sempre deseja partir e encontrar algo que lhe satisfaça.

No cenário atual, por força impositiva, famílias passam a conviver necessariamente nos mesmos espaços e a comungarem dos mesmos receios. Conhecidos pelos nomes e desconhecidos pelo entrelaçamento de suas histórias, a convivência tende a revelar o que já existe. A casa vira um campo fértil para muitas semeaduras: boas e más. A penumbra das ruas vazias emudece o grito de alegria das crianças e traz consigo um tipo raro de paralisia. Os corpos escondidos em construções de concretos ou de papel contemplam juntos a impossibilidade de fazer-se o corriqueiro. Sem luz a vida perece!

Jesus Cristo, a Estrela Resplandecente da Manhã, anuncia um caminho novo a ser percorrido. Nele, a solidão dá lugar ao aconchego; a dor é tombada pela cura e o drama sucumbe diante da celebração. Agora, o único caminho apontado no deserto das incertezas nos dirige à presença reconfortante e protetora de Deus. Em meio às contagens de vítimas e casos suspeitos, correr para casa é a saída. O Pai anuncia um tempo de brilho excessivo e ofuscante à todo flagelo e dor. O Sol da Justiça “se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos no curral” (Ml 4.2).

Quando os olhos se abrirem novamente, depois da noite de pesadelo, veremos famílias restauradas pela presença de Jesus, em volta da mesa de comunhão e graça… Na casa do Pai.

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